Justiça proíbe abate de jumentos na Bahia; espécie pode entrar em extinção até 2030

Imagem: Divulgação

O abate de jumentos foi proibido na Bahia, na segunda-feira (13), após determinação da Justiça Federal. A decisão foi assinada pela juíza Arali Maciel Duarte e aponta como fundamento a prática de maus-tratos na criação dos animais, falhas sanitárias nos abatedouros e o risco de extinção da espécie.

As discussões sobre o assunto aconteciam desde a década de 2010, quando questionamentos de entidades de proteção animal passaram a levantar problemas na atividade desenvolvida no estado.

A prática chegou a ser regulamentada pela Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) em 2016 e em 2020, mas, segundo a decisão, havia desrespeito à legislação em vigor.

Além de proibir o abate, a decisão também determinou a transferência dos animais para santuários de proteção.

Em contato com o g1 nesta terça-feira (14), as organizações responsáveis pela ação civil pública movida contra a atividade no estado comemoraram a decisão e classificaram a medida como um marco na proteção desses animais no país.

Já o representante do FriNordeste, único abatedouro exclusivo de jumentos, Alex Bastos, informou, em nota, que o frigorífico não foi notificado. Ele ressaltou que a unidade atua amparada juridicamente por uma liminar específica, que confere legalidade à atividade, e destacou que o entendimento é de que a liminar permaneça válida até o trânsito em julgado da decisão, quando não há mais possibilidade de recurso.

O portal também entrou em contato com a Adab, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

Abate de jumentos na Bahia

Segundo dados do Ministério da Agricultura, mais de 173 mil jumentos foram abatidos no estado de 2021 até abril deste ano. A cidade de Amargosa, no Recôncavo Baiano, é a principal exportadora.

O destino da maioria dos animais é a China, que importa o couro para extração de colágeno utilizado na fabricação do ejiao, produto da medicina tradicional chinesa que promete vigor sexual e rejuvenescimento.

De 2018 a setembro de 2025, o Ministério da Agricultura registrou o envio de mais de uma tonelada para o país, o equivalente a US$ 5,5 milhões, ou R$ 27,5 milhões.

Segundo pesquisador ouvido pela BBC News, a demanda chinesa pelo colágeno encontrado logo abaixo da pele dos jumentos tem provocado redução da população desses animais em diversos países nas últimas duas décadas, inclusive no Brasil.

No país, mais de um milhão de animais foram abatidos entre 1996 e 2025, reduzindo o número de jumentos de 1,37 milhão para pouco mais de 78 mil, uma queda de 94%, conforme estimativas de entidades como a Frente Nacional de Defesa dos Jumentos.

Mantido o ritmo atual de abates, a espécie “não chegaria a 2030” no Brasil, diz Pierre Barnabé Escodro, professor de Medicina Veterinária, Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

“O jumento está em risco de extinção em vários países. No Egito ele praticamente não existe mais, em várias outras partes da África. Por isso o movimento pela conservação hoje é global”, afirma Escodro.

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