
A Romaria de Nossa Senhora das Dores aconteceu em Juazeiro do Norte (CE) de 29 de agosto a 15 de setembro. Segundo estimativa da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria do município, a cidade recebeu cerca de 400 mil pessoas.
Nossa Senhora das Dores é a padroeira de Juazeiro do Norte. A romaria deste ano teve como tema “Juazeiro, refúgio dos náufragos da vida e nossa casa” e como lema “Perseveravam com Maria em oração” (At 1,14).
Segundo a Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, o tema apresentou a cidade como lugar de acolhimento para os peregrinos que chegam levando “suas dores, esperanças, pedidos e agradecimentos”.
A programação começou em 29 de agosto com a carreata “Acorda, Juazeiro!” e contou com missas, exercícios espirituais marianos, encontros com romeiros e as tradicionais procissões das carroças e dos meios de transporte.
No dia 15 de setembro, solenidade de Nossa Senhora das Dores, foram celebradas missas às 5h, 7h, 9h e 16h. Ao meio-dia, houve a bênção dos chapéus e a despedida dos romeiros.
Às 17h, a imagem da padroeira percorreu as ruas da cidade em procissão. O encerramento teve a bênção do Santíssimo Sacramento na Praça do Romeiro e um show pirotécnico.
“Refúgio dos náufragos da vida”
A missa solene das 9h foi celebrada pelo bispo de Salgueiro (PE), dom José Vicente Pinto de Alencar da Silva. “Vocês vêm aqui porque sabem que aqui poderão ter um encontro pessoal e comunitário com nosso Senhor”, disse o bispo na homilia.
Dom José Vicente comentou o tema da festa e disse que “por mais que nós nos sintamos náufragos da vida, das águas turbulentas da nossa existência, nós temos a esperança e uma grande confiança nos ensinamentos de Jesus e no acolhimento do coração de Maria”.
“Juazeiro é para nós uma estação anual onde nós paramos nesse descanso religioso e espiritual para prosseguirmos nessa estrada que nos leva da terra até o céu”, disse. “Por isso, nós aqui vimos todos os anos para esta pausa restauradora da nossa fé, da nossa espiritualidade, junto à Virgem Santíssima, Nossa Senhora das Dores, e ao padre Cícero Romão Batista”.
Bênção dos chapéus
Um dos momentos tradicionais da festa é a bênção dos chapéus e despedida. O chapéu é usado pelos romeiros para se proteger do sol e virou símbolo da identidade dos romeiros. Na bênção, os fiéis levantaram os chapéus com a aba voltada para cima, em sinal de abertura para receber a graça de Deus.
“Muito mais do que apenas proteger contra o sol, é a nossa identidade. O chapéu nos identifica”, disse o reitor da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, padre Cícero José da Silva.
Dom José Vicente abençoou os romeiros, suas famílias e as viagens de retorno.
Na despedida, padre Cícero José pediu aos peregrinos que levassem para suas casas e comunidades aquilo que haviam vivido durante a romaria. “A romaria não termina aqui. A romaria começa porque a missão continua”, disse.
Devoção a Nossa Senhora das Dores está na origem de Juazeiro
A devoção a Nossa Senhora das Dores está na origem de Juazeiro do Norte. Segundo a Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, a primeira capela do então povoado de Tabuleiro Grande foi construída por Leandro Bezerra Monteiro e dedicada à Virgem das Dores, com uma imagem trazida de Portugal.
Quando padre Cícero Romão Batista, carinhosamente chamado pelos devotos de “Padim Ciço”, chegou ao lugar, em 1872, encontrou cerca de 35 casas formadas ao redor da capela e assumiu como seu sexto capelão. O padre construiu um novo templo e, em 1887, entronizou uma imagem da padroeira comprada na França, que continua no altar-mor da atual basílica.
A imagem primitiva, conhecida popularmente como “Cárita”, é guardada na casa paroquial e exposta nas procissões de Nossa Senhora das Candeias, em 2 de fevereiro, e de Nossa Senhora das Dores, em 15 de setembro.
A atuação pastoral de padre Cícero e a devoção à Mãe das Dores marcaram o desenvolvimento de Juazeiro do Norte e o ciclo de romarias que transformou a cidade em um dos principais destinos de peregrinação do Brasil.
O padre Cícero morreu em 1934, aos 90 anos. A Santa Sé autorizou, em 2022, a abertura de sua causa de beatificação e canonização, dando-lhe o título de servo de Deus.
A fase diocesana do primeiro inquérito foi encerrada em junho de 2025. A documentação foi enviada a Roma para análise do Dicastério para as Causas dos Santos.
A romaria ocorreu pouco mais de dois meses depois que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) aprovou o registro dos Lugares Sagrados de Juazeiro do Norte como Patrimônio Imaterial do Brasil. Entre os locais contemplados pelo registro estão a Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, a Capela do Perpétuo Socorro, a Igreja do Bom Jesus do Horto, a Serra do Horto e a Estátua do Padre Cícero, além dos caminhos percorridos pelos romeiros e das expressões culturais associadas às romarias.
Fonte: acidigital por Nathália Queiroz