
A história da Lavagem está profundamente ligada à devoção ao Senhor do Bonfim, trazida para o Brasil no século XVIII por Theodósio Rodrigues de Faria, capitão da Marinha portuguesa. Durante uma tempestade, ele prometeu trazer uma imagem do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia caso sobrevivesse. O cumprimento dessa promessa deu origem a uma devoção que moldaria a cultura de Salvador.
Apesar de São Francisco Xavier ser o padroeiro oficial da cidade, o Senhor do Bonfim é considerado o padroeiro não oficial, símbolo da fé que se entrelaçou com tradições locais. Entre elas estão a lavagem das escadarias e o uso das fitas coloridas, conhecidas como amuletos da sorte. A celebração, além de religiosa, se tornou um patrimônio cultural e um ato de resistência da população baiana, mesmo diante das lembranças dolorosas da escravidão.
A Igreja do Bonfim: história e tradição
A construção da Igreja do Bonfim começou logo após a chegada das imagens do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia, em 1745. Inicialmente abrigadas na Capela da Penha, as imagens foram levadas para a Colina do Bonfim, onde a igreja seria erguida. As obras internas foram concluídas em 1754, com a transferência da imagem do Senhor do Bonfim em uma procissão, e as torres só foram finalizadas em 1772, resultado do empenho da comunidade local.
Hoje, a igreja é um marco histórico e espiritual de Salvador, e a Lavagem do Bonfim é uma oportunidade de vivenciar séculos de fé, tradição e cultura baiana em um único cortejo. Em 2026, a celebração completa 272 anos, reforçando seu papel como uma das manifestações culturais mais importantes do país e patrimônio simbólico da Bahia.