
Um novo concurso público do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi anunciado com previsão de 8 mil vagas em todo o Brasil. A seleção deve contemplar candidatos de níveis médio e superior, com salários que podem chegar a R$ 9 mil, além de benefícios.
O certame é apontado como um dos mais aguardados do país. Isso porque, além do número de vagas, o INSS oferece estabilidade e possibilidade de carreira no serviço público federal.
A previsão interna do INSS indica que o edital pode ser publicado até maio de 2026. Com isso, as inscrições devem ser abertas na sequência.
A próxima terça-feira, dia 31 de março, pode influenciar a abertura do concurso. Isso porque está prevista, para a data, uma reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS), em que o Ministério da Previdência e a diretoria do INSS devem apresentar medidas para reduzir a fila de processos de benefícios.
A informação foi repassada à reportagem da CENTRAL DE CONCURSOS pelo diretor do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Seguridade e Seguro Social no Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev RJ), Rolando Medeiros, que também é conselheiro do CNPS.
Para quem atua nas agências, a avaliação é de que a falta de servidores compromete o atendimento. “Nada vai ter solução se não tiver concurso público”, afirmou Rolando Medeiros.
Segundo ele, as medidas de gestão e tecnologia não resolvem o problema sem a recomposição do quadro de pessoal, que hoje teria déficit de mais de 23 mil servidores em todo o país, sendo cerca de 20 mil apenas na carreira de técnico do seguro social.
Dados apresentados pelo sindicalista mostram a redução do quadro ao longo dos anos. Na década de 1980, o INSS contava com cerca de 36 mil servidores para atender aproximadamente 12 milhões de benefícios. Atualmente, são cerca de 40 milhões de benefícios, com uma força de trabalho entre 15 mil e 16 mil servidores.
Rolando Medeiros afirmou ainda que a fila oficial de 2 a 3 milhões de processos pode ser maior ao considerar recursos e ações judiciais. Por isso, ele defende a autorização de um concurso com cerca de 8.500 vagas, sendo 7 mil para técnico do seguro social e 1.500 para analista.
Para o sindicalista, parte dos novos servidores deveria atuar nas agências, no atendimento ao público, e outra parte em trabalho remoto, voltado à análise de processos.
“Não adianta os tecnocratas quererem apresentar soluções sem ouvir quem está na ponta”, criticou.
Ele também destacou a necessidade do atendimento presencial para parte da população. “É indispensável para os 30 milhões de ‘analfabetos digitais’ e a população rural do país.” Ao mesmo tempo, apontou que o trabalho remoto tem maior produtividade, com média de 3,6 análises diárias, contra 1,2 no atendimento presencial.
Aposentadorias aumentam pressão por concurso
Segundo Rolando Medeiros, a saída de servidores deve agravar o cenário. Atualmente, cerca de 3 mil profissionais recebem abono de permanência e outros 5 mil podem se aposentar até 2027.
A expectativa é que o governo autorize o concurso ainda em 2026, para que os aprovados tomem posse em 2027.
Para o sindicalista, a realização do concurso é necessária para garantir o atendimento à população.
“É o seguro que o trabalhador pagou para usufruir; ele tem o direito de ser atendido com dignidade”, concluiu.