
O Santuário Nacional de Aparecida (SP) inaugurou no ultimo sábado (12), os mosaicos da fachada oeste da basílica, feitos pelo Centro Aletti, escola dedicada à promoção da arte sacra, fundada em Roma pelo padre ex-jesuíta e artista Marko Ivan Rupnik. A obra que traz marcas inconfundíveis do estilo de Rupnik, conclui o projeto Jornada Bíblica, que revestiu as quatro fachadas do santuário com mosaicos representando cenas bíblicas.
Rupnik é acusado de abusos espirituais, psicológicos e sexuais contra dezenas de freiras, algumas delas no contexto da criação de sua arte. Ele foi expulso da Companhia de Jesus em junho de 2023 por desobedecer a ordem de seu superior de não pregar publicamente e enfrenta atualmente um julgamento canônico no Dicastério para a Doutrina da Fé.
Em contraste com a decisão da basílica de manter a arte de Rupnik, o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França, vai cobrir todos os mosaicos de Rupnik na fachada da basílica de Nossa Senhora do Rosário para a visita do papa Leão XIV, marcada para os dias 26 e 27 de setembro próximos.
O bispo de Tarbes e Lourdes, dom Jean-Marc Micas, disse que a medida foi tomada em consideração às vítimas de abuso e que os mosaicos permanecerão cobertos depois da visita do papa.
As obras de Rupnik e do Centro Aletti estão presentes em diversos templos, como na capela Redemptoris Mater no Palácio Apostólico do Vaticano, e os santuários de São Pio de Pietrelcina, na Itália; de Fátima, em Portugal; e de São João Paulo II, em Washington, D.C.
Projeto Jornada Bíblica
As obras de revestimento do Santuário começaram em 2019. A fachada norte, inaugurada em 2022, representa o Êxodo e a libertação do povo de Israel; a sul, entregue em 2024, retrata a encarnação, a morte e a ressurreição de Cristo; e a leste, inaugurada em 2025, apresenta cenas do livro do Gênesis sobre a criação.
A fachada oeste, que será inaugurada amanhã, é dedicada ao Apocalipse, à segunda vinda de Cristo e ao juízo universal. Segundo o Santuário, as cenas representam “a vitória de Deus sobre o mal”.
O trabalho na fachada começou em 2025. São quase 4 mil m² de mosaicos concebidos e executados por 39 artistas ligados ao Centro Aletti. As pedras usadas na obra são provenientes de países como Brasil, Itália, Grécia e Afeganistão.
Rupnik continua na lista da equipe publicada no site do Centro Aletti. A instituição o apresenta como diretor do Ateliê de Arte Espiritual desde 1995 e responsável pelo Ateliê de Teologia desde 2008.
O projeto foi financiado com o dinheiro da Campanha dos Devotos, que é a doação feita por devotos de Nossa Senhora de todo o Brasil. O santuário disse que a entrega da fachada será feita por meio de uma “festa catequética”, com programação especial e transmissão ao vivo pela Rede Aparecida de Comunicação.
Em 2024, quando a ACI Digital questionou o Santuário Nacional sobre a continuidade do projeto depois das acusações contra Rupnik, a instituição não respondeu diretamente às perguntas, mas enviou uma nota dizendo que “as obras de revestimento em mosaico das fachadas da Basílica de Nossa Senhora Aparecida seguem sob a liderança e execução do Centro Aletti”.
“Desde 2020, o ateliê é dirigido pela artista italiana e doutora em teologia, Maria Campatelli, e conta com doze mulheres e nove homens em seu corpo diretivo, além de dezenas de artistas de diferentes nacionalidades, que estão diretamente envolvidos no projeto”, continuou a nota.
“Recentemente, o Vicariato de Roma, ao qual o ateliê está subordinado, após visita canônica, emitiu um parecer atestando ‘claramente que há uma vida comunitária saudável no Centro Aletti, livre de problemas específicos’”, concluiu o comunicado.
Fonte: acidigital
Foto: Nathália Queiroz / ACI Digital