
A recente viagem apostólica à Espanha foi o tema da catequese do Papa Leão XIV nesta quarta-feira, 17. Durante sua reflexão, o Pontífice recordou os locais que percorreu, agradecendo ao povo espanhol pela acolhida, e partilhou algumas impressões que teve durante o período da visita.
Segundo o Santo Padre, a participação expressiva dos fiéis do país é um sinal de que há um desejo generalizado de reencontrar a unidade. “Isso demonstra a necessidade generalizada de estarmos unidos sobre um fundamento verdadeiro e profundo, não ideológico nem baseado em interesses particulares. Esse fundamento, que só Cristo, em última instância, pode assegurar”, assinalou.
Neste contexto, Leão XIV explicou que uma das missões próprias do Sucessor de Pedro é promover a comunhão, o diálogo e a unidade na diversidade, adaptando esse serviço às diferentes realidades eclesiais e sociais encontradas durante as viagens apostólicas.
Passado e presente
Ao recordar os encontros nas grandes catedrais, nos modernos estádios, a oração do Terço na Abadia de Montserrat e a Missa celebrada na Basílica da Sagrada Família, o Pontífice destacou a capacidade da Europa de unir tradição e contemporaneidade. “Isso me fez perceber ao vivo o caráter próprio da Europa, a sua riqueza inestimável, como uma realidade atual, não ultrapassada”, pontuou.
O Santo Padre destacou que esse patrimônio precisa ser preservado e colocado a serviço dos grandes desafios do mundo atual, como a promoção da paz, a ecologia integral, o desenvolvimento equitativo e sustentável e o respeito pela dignidade humana. Neste sentido, recordou que essas questões já haviam sido identificadas pelo Concílio Vaticano II e continuam sendo aprofundadas pelo Magistério da Igreja.
Anúncio de esperança
Leão XIV também indicou uma necessidade comum que percebeu em todos os encontros: ouvir, por meio do Sucessor de Pedro, o anúncio da esperança para uma humanidade marcada pelas consequências negativas de um modelo de desenvolvimento “enganador”. Tal necessidade, partilhou, pôde ser reconhecida sobretudo nos rostos das crianças e dos pobres que encontrou.
O Papa falou ainda sobre a última etapa da viagem, nas Ilhas Canárias, que ofereceu uma visão mais ampla dos desafios migratórios vividos no arquipélago. Ele reconheceu a complexidade do fenômeno migratório e a necessidade de respostas articuladas, mas destacou que essa realidade também oferece uma nova chave de leitura do Evangelho:
“Um desses frutos é precisamente o diálogo entre as pessoas e entre os povos, o encontro num espírito de fraternidade, que permite descobrir e apreciar mutuamente os valores de que o outro é portador. Este caminho não é fácil, requer boa vontade e a ajuda de Deus, mas é o caminho que conduz à civilização do amor”.
Ao concluir a catequese, o Pontífice retomou o lema da viagem apostólica, “Elevai o olhar” (Jo 4,35), exortando os presentes a aprender com Jesus a olhar para o próximo, para as pessoas e para o mundo ‘com os olhos de Deus’, isto é, com amor, respeito e compaixão.
Foto: REUTERS/Remo Casilli
Fonte: Vatican News